O SENTIDO DO BATISMO E SUAS IMPLICAÇÕES NA VIDA CRISTÃ

As origens do batismo estão ligadas à história do povo judeu. Após o exílio babilônico (período em que os judeus foram deportados de seu país para Babilônia – por volta de 587 a 538 a.C.), quando alguém se convertia ao judaísmo era necessário que tal indivíduo fosse circuncidado, guardasse o sábado e fosse também batizado. O batismo era um ato simbólico e seu sentido estava ligado a passagem do povo judeu pelo Mar Vermelho. Ao ser emergido na água o novo convertido passava simbolicamente pelo Mar Vermelho e tinha acesso às bênçãos de Deus juntamente com o povo hebreu.

O próprio Apóstolo Paulo afirmou isso em I Coríntios 10.1-4 : “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, e todos comeram de uma mesma comida espiritual, e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo”.



A passagem pelo mar e pela nuvem representavam o batismo do povo de Deus. O Senhor tirou seu povo do Egito, símbolo do pecado e da morte.

O povo de Deus foi escravo no Egito, escravo de sua ignorância e falta de fé. Eles foram escravos da ideologia daquele lugar e de suas próprias maldades – mesmo o mais justo era ignorante sobre o uso de sua própria fé e de seu próprio sentido de vida.

Assim, quando este povo escravo não via mais saída para si, decidiram tomar uma decisão: a de clamar ao Deus de seus pais e suplicar por sua libertação (Êxodo 2.23 e 3.7). Nesse exato momento às coisas começam a mudar para aquelas pessoas e uma nova perspectiva de vida é criada. Da mesma forma, um dos princípios do batismo é revelado: o batismo é precedido pelo arrependimento.

Então, o povo tem uma atitude! Eles se humilham, clamam a Deus reconhecendo suas falhas, faltas e pecados. Em seguida, Deus responde a atitude de seu povo e lhe encaminha um libertador, Moisés, que é uma figura de Cristo e os levará a viver uma nova vida na “Terra prometida”.

Assim, poderíamos nos fazer a seguinte pergunta: Qual o maior motivo pelo qual deveríamos nos batizar?

As linhas já apresentadas nos responde o porquê, mas há ainda dois motivos maiores: Primeiro, se batizar é cumprir parte do “Ide” de Cristo. Jesus disse: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crê e for batizado será salvo, mas quem não crê será condenado” (Marcos 16.15-16); Em segundo lugar, é um conselho de Paulo a igreja de Corinto e também a nós. Ele escreveu: “Sede meus imitadores como eu de Cristo” (I Coríntios 11.1).

Portanto, se devemos ser imitadores de Cristo como poderíamos desprezar o batismo? Pelo contrário, assim com Jesus foi batizado nós também devemos ser! Além disso, foi somente após seu batismo que sua natureza divina foi revelada (Mateus 3.17) e da mesma forma Deus quer se revelar em nós.

Mas como devemos imitar a Cristo? Qual modelo seguir?

Como cristãos devemos buscar a perfeição em nos dedicar a Deus e o batismo é parte do início de nossa caminhada de fé.

Em seus últimos momentos, Jesus nos deixa um modelo exato do que devemos ser e fazer para Deus e para os outros. Leiamos João 13.1-10:

“Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim?

Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.

Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo….”.

Podemos trazer uma interpretação deste texto nos baseando pela cultura da época. Nesse sentido, devemos também nos fazer algumas perguntas: Por qual motivo Pedro não aceitou imediatamente ter seus pés lavados por Jesus? Por que Jesus lavou os pés de seus discípulos e como podemos aplicar esta mensagem em nossas vidas?

A questão cultural aqui é altamente enraizada na sociedade daquela época: Naqueles dias, quando qualquer cidadão se apronta para visitar um amigo ele se banharia, colocaria sua roupa e calçaria suas sandálias. Assim, ao se deslocar de sua casa para a casa de seu amigo, no longo caminho, seus pés poderiam pegar poeira e se sujar. Quando chegasse a seu destino, pelo costume da época, o senhor da casa deveria chamar um servo/escravo para que lavasse os pés do seu hóspede.

Assim, Jesus estava fazendo papel de escravo e por isso Pedro não aceitou ter seus pés lavados por Ele. Após Jesus alertá-lo sobre o fato de “se eu te não lavar, não tens parte comigo”, Pedro muda de ideia e diz: “Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”.

Pedro queria ter parte com Cristo e deveria entender que mesmo Jesus, sendo Senhor e Mestre, não fez questão de sua grandeza para servir aos outros. Pelo contrário, ele se humilhou e fez o mais indigno serviço de sua época para lhes dar um exemplo de atitude de amor, solidária ao próximo.

Da mesma forma, quando aceitamos a mensagem da cruz, a Salvação em Cristo Jesus, somos lavados por seu sangue e nos aprontamos para trilhar uma caminhada até chegar à casa do Pai. É nesta caminhada que devemos servir a nossos irmãos, salvar os perdidos e oferecer-lhes também o batismo nas águas.

Entretanto, nessa caminhada também podemos, por algum momento, ter nossos pés sujos pela poeira do caminho, pelas dificuldades da vida: os nossos pecados. Assim, quando chegarmos a casa de nosso anfitrião. Quando chegarmos a casa de Deus nos céus, para nos deixar entrar, Ele irá olhar para nossos pés. Irá olhar para os pés e ver o sangue de Cristo que nos purifica continuamente de todo pecado.

Deus irá olhar também para nossa vida de devoção. Nossa vida imitativa, tendo Jesus como nosso principal parâmetro de liderança, serviço, humildade e santidade. Como Moisés guiou o povo do Egito para a Terra Prometida, Jesus nos guia do mundo para às mansões celestiais de Deus, por uma vida de santificação.

Nesse contexto, assim como Jesus obedeceu a Deus, devemos obedecer a Cristo: Ir por todo mundo e pregar o evangelho a toda criatura! Sabendo que o aceitamos e fomos batizados para viver por Ele, da mesma forma que Ele viveu pelo Pai.

Podemos concluir que o que Deus diz a cada um de nós com essa mensagem é o que está escrito em Isaías 43.10: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”. Por isso, “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura (Marcos 16.15).