O Segredo do sucesso Ministerial

Muitos cristãos se incomodam com a falta de sucesso ministerial. Alguns pensam: “Eu tenho que cumprir meu chamado!”. Assim, muitas vezes ansiosos, tomam decisões precipitadas em nome de Deus. Outros pensam que precisam desenvolver algo e aproveitar seu tempo no sentido de fazer aquilo que lhe apraz dentro de sua comunidade de fé, se esquecendo que o sucesso ministerial é o sucesso de uma vida com Deus.



Partindo de pressupostos bíblicos essa atitude é comum, o homem costuma se precipitar. A exemplo disso, tempos o relacionamento indevido de Abraão com sua escrava Agar: Deus havia prometido um filho a Abraão, mas aos olhos de sua esposa, Sara, a promessa parecia não poder se cumprir (Gênesis 16.15).

Em situações como esta, se tivermos um pouco de fé, podemos pensar que devemos esperar “o tempo de Deus”. O problema é que tal afirmativa parece ter se tornado um jargão dentro de nossas igrejas. Toda vez que isso acontece a afirmativa em questão pode ser banalizada. 

Há uma disciplina da comunicação chamada Semiótica que exemplifica esse fenômeno. Ela explica que a reprodução dos signos (imagens que possuem algum significado) em escala banaliza seu significado. Desta forma, ao utilizarmos com frequência uma frase forte como esta (“esperar o tempo de Deus”), para muitos, ela pode soar sem valor algum.

Nesse sentido, se o que Deus nos prometeu não se cumpriu, há necessidade de que atentemos as ordenanças bíblicas para que no período de espera não sejamos encontrados ociosos. 

Para exemplificar meu posicionamento gostaria de lhe dar mais alguns exemplos, além dos precipitados Abraão e Sara citados no início. Essas figuras são importantes para que nós possamos evitar deslizes e preservar o que Deus quer de nós. Antes disso, penso ser possível dividir as pessoas que fazem ou esperam por algo de Deus para sua vida ministerial em alguns tipos de pessoas: 

1. Aqueles sabem que tem um chamado ministerial, uma promessa específica, mas procuram executá-la sem orientação clara da parte de Deus (Abraão e Sara).

2. Aqueles fazem a vontade de Deus, cumprem seu chamado, mas no final acabam errando em fazer coisas que não lhe foram pedidas (Muitas vezes isso é feito com boas intenções, mas o final é trágico).

3. Aqueles que fogem do seu chamado.

4. Aqueles que cumprem seu chamado e se limitam a isso. 

Esse primeiro tipo de pessoa está associado ao exemplo dado de Abraão e Sara. Outro personagem bíblico onde podemos constatar a mesma postura foi Saulo de Tarso, um judeu com grande bagagem filosófica e teológica. Além disso, era fariseu e se preparou com o melhor “teólogo” da época, Gamaliel. Acredito que Saulo já se sentia preparado para exercer seu ministério e com certeza ambicionava isso. Quando Estevão foi apedrejado estava presente e de certa forma foi conivente com a morte do mesmo (Atos 7.58). Saulo queria muito servir a Deus e começou fazer aquilo que achava que deveria ser feito, mas sem saber que estava trabalhando contra a obra de Deus (Atos 9.4). Pessoas nessa situação devem reconhecer seus erros, serem humildes e retornar ao início de sua caminhada fazendo somente aquilo que lhes foi proposto. Deus é misericordioso e há sempre possibilidade de traçar um caminho de sucesso para glória de Deus.

No segundo tipo, podemos pegar como exemplo Gideão. Ele foi escolhido por Deus para libertar o seu povo (Juízes 6.14). A vida de Gideão agradava a Deus. Ele era um homem “valoroso” (v.12) e cumpriu seu chamado libertando Israel dos midianitas. 

O coração de Gideão também era puro e bem intencionado. Após libertar Israel o povo quis fazer com que ele reinasse sobre eles, mas sua resposta foi categórica: “Sobre vós eu não dominarei, nem tampouco meu filho sobre vós dominará; o Senhor sobre vós dominará”(Juízes 8.23). No entanto, no versículo seguinte, Gideão pede ao povo parte do ouro obtido na batalha, faz um éfode e com ele leva sua família e seu povo ao pecado (Juízes 8.27). 

Para evitar problemas relacionados ao erro de Gideão devemos estar conscientes de nosso chamado, pedir a Deus sabedoria (Tiago 1.5) e procurar sermos homens e mulheres maduros na fé. Gideão ao tentar fazer algo para Deus levou o povo a idolatria, propagando heresias no meio do seu povo. Para evitar que isso aconteça em nosso ministério devemos orar antes de tomar qualquer atitude, nos orientar pela Palavra de Deus e procurar sermos aconselhados por cristãos mais experientes.

O terceiro tipo de pessoa, aqueles que fogem do chamado, pode ser representado por Jonas. A história deste profeta é parecida com a de muitos de nós. Ele recebeu uma mensagem para fazer algo, mas não concordou com o objetivo desta mensagem. Jonas foi enviado para proclamar uma palavra contra o povo da cidade de Nínive, dizendo que a mesma seria destruída, porém foi para outro caminho. O povo desta cidade era mau e por isso Jonas queria sua destruição. Da mesma forma, Jonas sabia que nosso Deus é bom e estaria pronto a perdoar os ninivitas se eles se arrependessem (Jonas 4.2). Quantas vezes Deus nos manda estar em um lugar e queremos ir para o outro? Quantas vezes a bondade de Deus para com os maus nos incomoda?

Devemos fazer a vontade de Deus, ir para onde ele quer nos mandar, ajudar e acompanhar nosso cônjuge em seu chamado. Sobre tudo, devemos amar a Deus, querer a bondade e a misericórdia Dele sobre nossas vidas e sobre o próximo. Devemos nos alegrar com o sucesso destes e não somente com o nosso.

Nosso último exemplo não necessita de muitos comentários. Jesus cumpriu seu ministério se limitando a fazer tudo o que havia sido dito sobre ele. Esse é o verdadeiro sucesso ministerial! Jesus esperou até os 30 anos para iniciar suas atividades ministeriais e dentro da cultura judaica esse tempo era essencial. Além disso, foi humilde para com todos, demonstrando amor e misericórdia (Lucas 23.34).

Devemos ser iguais a Cristo, sabendo que nosso ministério, seja ele qual for, está relacionado com servir aos outros! Assim como Jesus lavou os pés de seus discípulos (João 13), nosso ministério é um humilde serviço a Deus para benefício de outros. Servir a Deus é antes de tudo servir a nossos irmãos!

Nesse sentido, os primeiros versículos de Filipenses 2 mostram claramente o que devemos fazer para termos um ministério de sucesso:

Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões,

Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa.

Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.

Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,

Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;” (Filipenses 2. 1-7).

Os exemplos citados acima mostram um pouco de nós: falhos, ansiosos e donos da razão. A verdade é que de nada sabemos, a não ser aquilo que foi claramente revelado. Na medida em que nos preocupamos em fazer algo específico para o Reino de Deus (aquilo que nos foi prometido) talvez também deixemos de fazer o que nos foi ordenado. A ordenação é o que foi claramente revelado e deve ser realizada antes de tudo! Então, para finalizar, atente para mais duas coisas:

Ordenaças X Promessas

Deus deixou nas escrituras ordenanças que são comuns a todos os homens. Nós como cristãos devemos no mínimo amar a Deus (Deuteronômio 11.13), amar aos outros (I João 4.11) e evangelizar (Marcos 16.15). Nenhuma revelação extra, nenhuma profecia ou palavra que recebamos, por intermédio de qualquer pessoa, pode ser maior que as ordenanças apresentadas acima. 

Gostaria de destacar que não é minha intenção limitar as ordenanças de Deus nesses três aspectos, mas penso que essas são um resumo das mesmas e meu propósito não é a profundidade nessa questão, mas o levar a deixar pensamentos imaturos que podem gerar espera ainda maior diante daquilo que lhe foi prometido.

Sendo assim, não se pode esperar o cumprimento das promessas de Deus sem praticar suas ordenanças!!! Gideão, quando foi escolhido para libertar seu povo, estava trabalhando e tinha uma vida integra. José, antes de se tornar governador do Egito, mesmo na prisão, foi produtivo.

Prezado irmão, se você espera algo de Deus, espere amando o próximo, se envolvendo no serviço aos menos favorecidos, fazendo aquilo que lhe vier à mão e sempre evangelizando. Deus dará grandes oportunidades para aqueles que não desprezarem as pequenas. Assim, o sucesso ministerial será sempre o sucesso de uma vida com Deus.