A vontade de Deus e as dificuldades da vida.

Em Agosto de 2015 um amigo fez algumas indagações a respeito de sua própria vida em um post na internet. Ele se questionava da seguinte forma: Qual é vontade de Deus? Alguém veio ao mundo só pra viver de desgosto e tristeza, pra ser infeliz? Segundo ele, as pessoas falam “você vai ser feliz! Deus é contigo!”, mas até então não havia vivido nada disso – somente alguns dias bons, vivendo, na maioria de seus dias, tristeza e solidão. Além disso, não se considerava um bom pai, bom marido ou bom qualquer coisa. Sem saber o sentido da vida, nem no que é realmente bom, acreditando que algumas pessoas nasceram para sofrer.


Esse foi seu desabafo, algo cada vez mais comum nas redes sociais. Abaixo, copio minha tentativa de resposta a esse irmão em Cristo:

Prezado, gostaria de me arriscar a responder algumas de suas perguntas.
Primeiro, você se pergunta se alguém veio ao mundo para sofrer? A resposta para isto está ligada no que você considera sofrimento. Para o preguiçoso, o trabalho é um sofrimento. Outras pessoas
consideram isso uma virtude. No entanto, para cada questão alguém terá um modo de ver diferente. Claro que sua questão não é essa, mas a resposta está relacionada.
Por sermos cristãos, soa estranho nos fazer tais perguntas, mas a humanidade nos é inerente! Logo, isso é normal.
Quando a bíblia diz: “Porque (Deus) faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.” (Mateus 5:45)
ela está declarando, implicitamente, que não só a chuva ou o sol, mas que coisas boas e coisas más acontecem a todos. Então, o problema que vivemos não é o problema em sí. O problema é a relação que mantemos com nossos problemas.
De problemas, sou mestre para falar. Tenho visto que Deus usa os problemas para moldar nosso caráter e para nos ensinar como viver melhor. 
Mas todo problema é propósito de Deus? Não! Temos que procurar entender a raiz de cada problema e o sentido do mesmo. 
Em Gênesis 1.28, Deus manda que o homem domine sobre a terra, sujeite os animais e frutifique. Nesse sentido, fomos criados para dominar primeiro nossa própria vida, depois o mundo e as coisas que nos estão a mão. Se você for um mecânico deve sujeitar a técnica mecânica, se é um artesão, a sua arte.
Há problemas que surgem de nossa incapacidade de gerir nossa obrigação de domínio sobre as coisas terrenas. Assim, se a obrigação é nossa, Deus não tem nada a ver com isso, a não ser que Ele queira ter. Por isso temos que identificar os problemas que nos acometem, e saber a raiz de tais problemas para evitá-los no futuro.
Acredito que, para os cristãos, existam problemas espirituais (referentes a nós), problemas familiares (referentes a nós e a outros), problemas profissionais (referentes a nós e a outros) e problemas de saúde (referentes a nós e a Deus).
Se é casado sua família é um outro campo de seu domínio, mas que pode ter problemas referentes a você e a outros. Quando qualquer dos problemas relacionados acima se refere “a outros”, quer dizer que não importa se você está dominando essa área da sua vida de forma certa ou errada, problemas podem sempre acontecer. Não depende só de nós, depende de outros também!
Na história de Israel o povo foi ensinado a viver de forma correta, recebeu leis para cumpri-las, mas mesmo assim deixou as práticas que lhes foi ensinada e sofreu consequências disso. Por muitas vezes a culpa não foi do líder, mas do povo. Lembra do caso do bezerro de ouro?

Agora, temos outra de suas questões: a de não ser um bom pai. Temos que ter claro em mente que não somos bons: “Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.” Lucas 18.19.
É Deus que nos faz bons. Ser bom é um processo de contínuo aperfeiçoamento. É na medida em que nos aproximamos de Deus que somos bons e o caminho inverso é se tornar mau. Mas o que isso tem a ver com ser um bom pai?
Tem a ver o seguinte: há problemas em nossas vidas que fogem do nosso controle. Ser pai está no domínio da família e problemas nessa área não dependem só de nós. Somos indivíduos livres e cada um escolhe seu caminho! Nossa obrigação é ensinar o que temos por Verdade, o caminho da justiça e do amor de Deus. Depois disso, podemos ter a certeza de que fizemos nossa parte. 
E sobre ser bom marido ou “bom qualquer coisa”, acredito que devemos buscar entender a parte que nos cabe da melhor forma possível. A perfeição é o limite para isso. Depois, temos que entender a mulher e suas necessidades, entender o nosso trabalho e suas especificidades. Procurar o aperfeiçoamento técnico e teórico sempre! Os problemas dessas áreas também são referentes a outras pessoas, mesmo depois de termos feito tudo de melhor e da melhor maneira possível, podemos também ter problemas.
Nesses casos, acredito que o cristão leva muita vantagem sobre os outros. Depois de termos feito a nossa parte ou mesmo que tenhamos falhado em uma ou outra coisa, podemos pedir perdão, pedir a intervenção divina, a ajuda de Deus. 
Quando não podemos fazer nada, quando a resolução do problema não depende mais de nós, devemos orar e descansar. 
Confiar em Deus é deitar-se ao lado de Jesus naquele humilde barco e passar tranquilo pela tempestade – não importa quanto tempo ela dure. A vontade de Deus é sempre o melhor caminho. Deus abençoe!